A convite da Câmara Municipal do Crato um elemento do
Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana, participou, no dia 23 de março, numa conferencia, no
Mosteiro de Stª Maria de Flor da Rosa, inserida na inauguração do traçado do
Caminho de Santiago e nas celebrações da Semana Santa, no Crato, subordinada ao
tema:
“A importância do
Turismo Religioso e Cultural no Desenvolvimento Local”,
que a seguir se transcreve:
Começo por felicitar e considerar a relevância desta conferencia
e da marcação do Caminho de Santiago, na vila do Crato, uma vez que só existia
a partir de Nisa.
Agradeço o convite que foi endereçado ao nosso Secretariado para
participarmos nesta conferencia.
Faço parte de um dos Secretariados da nossa Diocese, o
Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana: Migrações, Turismo e Minorias
étnicas de que é Director o sr. Padre Fernando Farinha e encontro-me aqui em
representação do referido Secretariado.
Falando da importancia do Turismo religioso e cultural quero
referenciar que existe uma diferença entre um e outro. O Turismo Religioso tem
como motivação fundamental a fé. Está ligado aos acontecimentos religiosos das
localidades tornando-as lugares turísticos.
É claro que o Caminho de Santiago como caminho de turismo
religioso faz parte do desenvolvimento de qualquer local ou região. “Os
peregrinos precisam de repousar, de fazer as suas refeições e até de fazer
compras”.
Além disso, à medida que se vai caminhando vão-se
fotografando locais e paisagens que depois vão valorizar esses percursos.
Através dos séculos o Homem religioso, nas velhas rotas do
Caminho de Santiago, foi construindo pequenas ermidas, capelas e catedrais.
Durante a idade média foi este Caminho o mais antigo, o mais
concorrido e o mais celebrado.
Foi pelo Caminho de Santiago que circularam rainhas e
príncipes, pintores e artistas, trovadores e jograis que encheram e
enriqueceram esta geografia literária medieval.
Toda a paisagem física, monumental e humana rimou pelo eco
dos peregrinos.
Hoje, são cada vez mais as pessoas, não só do nosso país mas
de todas as partes do mundo que se interessam por fazer o Caminho de Santiago,
dando a conhecer os locais, a gastronomia, os hábitos e costumes dum povo.
Foi pelo Caminho português que um grupo de Amigos do Caminho
de Santiago da Beira Baixa, Norte Alentejano e Ribatejano, peregrinou até
Santiago de Compostela, em setembro último e eu fui uma delas.
Subindo montes agrestes, atravessando pontes e vales,
admirando paisagens, quer pelo caminho francês, quer pelo caminho português, quer
pela via da Prata, ou por outro, construiu-se uma nova Europa e uma nova
sociedade.
Deu-se um espírito ecuménico a uma humanidade que só tinha
como ponto de apoio uma vieira, uma sacola, um cajado e uma grande fé em
alcançar um dia, a morada eterna.
O Caminho de Santiago significou na história do Ocidente uma
das mais importantes vias de peregrinação e intercambio de culturas.
Durante o ano milhares de pessoas se cruzam no Caminho,
fazendo-o a pé, de bicicleta ou a cavalo, como peregrinos.
Se por vezes os itinerários coincidem com os anteriores
caminhos, outras vezes é necessário sair da via rápida ou da estrada nacional
para percorrer o verdadeiro caminho ou para visitar uma igreja românica ou uma
igreja que tenha como patrono S. Tiago.
É um facto que nem todos vão com a mesma intenção pois
enquanto uns levam consigo a mesma fé, outros o fazem por mera curiosidade de
conhecerem e se enriquecerem culturalmente, visitando vilas e cidades que
outrora foram pequenos povoados e que se foram desenvolvendo localmente dando a
conhecer os seus hábitos, os seus costumes, a sua gastronomia e as suas
paisagens. Impulsionadas pelo Turismo Religioso e Cultural as populações vivem
desta actividade e do Comércio.
É cada vez mais frequente falar do desenvolvimento local
ligado ao Turismo religioso e cultural. Estamos perante uma actividade económica
muito importante pois intervem nela benefícios sociais, religiosos, económicos,
ambientais e culturais.
O respeito pelo ambiente e a cultura local são condições
indispensáveis para fazer do turismo religioso e cultural uma actividade
sustentável.
Cada vez mais também se constata por um lado, a necessidade
de informação sobre como articular o sector do Turismo com a economia local,
por outro lado conhecer experiencias que são implementadas nos diversos locais
para encontrar elementos comuns ou diferentes que possam contribuir para o
Desenvolvimento Local.
Finalmente, achamos que o traçado agora apresentado do
Caminho de Santiago nesta região é de grande importância para que se possa dar
a conhecer aos peregrinos e turistas esta parcela do nosso país tão empobrecida
economicamente.
Não só o traçado é importante mas cremos que é necessário
também fazer o inventário do património religioso, como um potencial turístico
e cultural para o Desenvolvimento Local.
Júlia Adega